«Recently, two Italian journalists wrote a three-page newspaper article (in print, alas) about the decline of handwriting. By now it’s well-known: most kids – what with computers (when they use them) and text messages – can no longer write by hand, except in laboured capital letters.
(…) The art of handwriting teaches us to control our hands and encourages hand-eye coordination.
The three-page article pointed out that writing by hand obliges us to compose the phrase mentally before writing it down. Thanks to the resistance of pen and paper, it does make one slow down and think. Many writers, though accustomed to writing on the computer, would sometimes prefer even to impress letters on a clay tablet, just so they could think with greater calm.
It’s true that kids will write more and more on computers and cellphones. Nonetheless, humanity has learned to rediscover as sports and aesthetic pleasures many things that civilisation had eliminated as unnecessary.»
Umberto Eco - The Lost Art of Handwriting
The Guardian, Monday 21 September 2009
(o bold é meu)
O artigo que li hoje, de Umberto Eco, veio recordar-me de algo sentido há uns dias atrás, quando a minha permanente inquiridora de 8 anos de idade, segurando um postal na mão, me perguntava o que era e para que servia. Constatei, com pena, que o desconhecimento se deve não somente devido à tenra idade, mas também porque tal forma de comunicar caiu em desuso.
Há, de facto, um constante sentido de urgência que nos empurra para o essencial, para eliminar o supérfluo. Rendemo-nos ao imediato do SMS, do email e da mensagem electrónica e sacrificamos o prazer doce/amargo da antecipação, da espera pela passagem do carteiro que trará notícias de alguém que nos é querido. Trocamos o toque pessoal da caligrafia pela eficiência formatada da comunicação virtual.
Não vou sequer descrever a perda que é, para muitos, desconhecer a magia de ver aparecer debaixo de tons vermelhos uma imagem em papel branco.
Todos os dias leio mais um artigo ou notícia sobre algo relacionado com a disponibilização de obras literárias por via electrónica. Entristece-me que a evolução tecnológica se tenha lembrado de achar bem querer substituir e eliminar o prazer de folhear um livro, de lhe poder sentir a idade nas páginas velhas, de o poder emprestar a alguém e com isso escrever nele também um pouco de uma história para além da história.
Mais do que a perda de uma Arte de que Eco fala, eu vejo neste fenómeno e em outros semelhantes a perda de pequenos prazeres que nos enriquecem a vida. É nossa obrigação fazer com que não desapareçam de vez.
Escusado será dizer que a inquiridora já sabe o que é aguardar uma resposta na volta do correio.
Sem comentários:
Enviar um comentário