Há não muito tempo visitei uma exposição de fotografia no Arquivo Fotográfico de Lisboa, de um autor que apresentava as suas obras em molduras de tamanho 30x40, sendo que a imagem propriamente dita não ultrapassaria os 10x10. Ou seja um pequeno quadrado no meio de uma imensidão de branco.
Tive a felicidade de poder ouvir o próprio autor defender a sua opção perante uma dúzia e meia de visitantes que estavam presentes na altura. Afirmava reconhecer que essa opção contrariava a tendência do momento presente, a tal tendência do “grande é que é bom”. Defendia que, a opção pelo formato que ali apresentava, se devia somente a ser essa a forma que considerava poder provocar no visitante uma necessidade de proximidade com a imagem, possibilitando assim a quem apreciava a fotografia uma emoção, um clima de cumplicidade e sintonia com o ambiente retratado, semelhante à vivida pelo fotógrafo aquando da captura das imagens.
Pessoalmente, em teoria, entendi o conceito, na prática, mesmo com o nariz encostado no vidro nunca me senti tão distante e desligada de uma fotografia como aconteceu naquele caso.
Verdade seja dita, neste caso concreto, não sei se haveria tamanho que viesse alterar essa reacção, mas serve o exemplo apenas para ilustrar a minha opinião que vai no sentido de que não creio que se deva contar que a dimensão (grande ou pequena) de uma fotografia possa dar-lhe algo que ela não tem.
Eu admito que gosto de encher os olhos com uma fotografia. Tanto mais quanto melhor ou mais bela ela me pareça ser. Existem fotografias do Ansel Adams que consigo ver em pequenas reproduções apenas porque me possibilitam poder imaginá-las no seu tamanho mural. Será um novo – riquismo apreciar essa imagem nessa dimensão? Creio que não porque é uma dimensão que lhe faz justiça e é uma imagem cuja grandiosidade suporta essa mesma dimensão.
Defendo isto tal como defendo que quando uma fotografia é grandiosa, conseguirá sê-lo mesmo sem ser grande. Quando não o é, utilizar um formato grande para exibir uma fotografia “menor” será, quanto a mim apenas uma ilusão. Julgo que passados os segundos iniciais do impacto causado pelo efeito surpresa, o observador atento acabará por interiorizar que está a pasmar perante o vazio.
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