O meu sentido prático, a minha noção dos tempos actuais impedem-me de considerar que um artista que utilize a tecnologia actual, para ter valor, tenha que provar que saberia executar o mesmo resultado utilizando técnicas tradicionais. Tal conceito não faz sentido para mim. Usando de uma comparação um pouco estranha, uma carta escrita num computador, estando correcta, comunica tão bem como uma escrita à mão.
Saber que usufruindo das tecnologias modernas podemos produzir por exemplo 30 obras numa hora e que um artista que utilize as técnicas tradicionais terá que trabalhar toda a noite para ter a mesma produção, embora me cause maior simpatia pelo esforço do último, não pode influir na minha apreciação da qualidade da obra do primeiro.
O meu sentido de honestidade enquanto artista, não admite no entanto, que se use a tecnologia como forma de atalhar caminho. Que se passe por cima do conhecimento dos princípios básicos da disciplina que se abraça e que se proclama como paixão porque existe um meio de chegar ao mesmo resultado sem ter que dispender esse esforço. Recorrendo novamente à mesma comparação estranha, revolta-me que se despreze a preocupação por saber escrever correctamente por sabermos que o corrector autográfico está lá para garantir que não há erros.
Não me causa qualquer prurido que hoje se consiga, graças à tecnologia e mediante um preço, atingir facilmente um resultado que antigamente dependia de sabedoria e capacidade. Verdade seja dita que, para que o resultado fácil de hoje tenha um mínimo de qualidade ou possa ser comparado ao resultado suado de ontem, alguma sabedoria também é necessária. Verdade também que, possuindo o equipamento ideal, o resultado de ontem também não era assim tão suado.
Causa-me revolta apenas quando as facilidades fornecidas pela tecnologia conduzem ao desprezo pelo conhecimento. Quando, sabendo que utilizando a ferramenta certa se consegue chegar facilmente a C, se prescinde de saber que antes do C existe o A e o B.
1 comentário:
o que tu és, minha amiga, é uma velha do restelo >:>
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