Os teatros nacionais, a Companhia Nacional de Bailado e a Cinemateca passam a ser Entidades Públicas Empresariais (EPE). E vão ter de prestar contas sobre programação e resultados de bilheteira...
"O povo sempre foi mal educado. Continuamente exige que a arte seja popular, que vá ao encontro dos seus gostos, que lisonjeie a sua absurda vaidade, que lhe diga o que já antes lhe tinha sido dito, que lhe mostre o que já deveria estar cansado de ver, que o divirta quando se sente enfastiado por ter comido em demasia, e que distraia o seu espírito quando está lasso da sua própria estupidez. A arte nunca deve procurar ser popular; cabe ao público tornar-se um artista. Há aqui uma grande diferença. Se se dissesse a um grande cientista que os resultados das suas experiências e as conclusões que delas tira não devem contrariar as ideias feitas, pôr em causa os preconceitos populares, nem ferir as sensibilidades das pessoas que ignoram tudo da ciência; se se informasse um filósofo de que tem o pleno direito de se entregar a especulações sobre as mais altas esferas do pensamento, desde que chegue às mesmas conclusões daqueles que nunca pensaram em nada, ora bem, tanto o homem de ciência como o filósofo de hoje divertir-se-iam muito. No entanto, há bem poucos anos, a filosofia e a ciência estavam submetidas ao controlo grosseiro do povo, ou melhor, à autoridade - autoridade da ignorância geral de uma comunidade, autoridade também da violência e da fome de poder da classe eclesiástica ou governativa. Em grande parte, bem entendido, vimo-nos livres de qualquer controlo emanado da comunidade, da Igreja ou do governo, sobre o individualismo do pensamento especulativo, mas o controlo do individualismo das artes da imaginação ainda se mantém. Na verdade, não só sobrevive, como se mostra agressivo, ofensivo, brutal."
A Alma Humana
Oscar Wilde
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