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terça-feira, 6 de setembro de 2011

What you don't know won't hurt you

"Quando regressámos, tínhamos uma história desconcertante para contar: os prisioneiros políticos da ditadura militar, utilizados em trabalhos forçados, morriam às centenas. As fotografias que tirámos a jovens acorrentados a transportar troncos de árvores e a partir pedras no leito de um rio eram dramáticas. Graças àquela viagem, conseguimos trazer à atenção da opinião pública um aspecto do drama birmanês que de outro modo teria passado despercebido. Eu tomara conhecimento por acaso. Ou melhor... por causa de um adivinho que me dissera para não voar.
Este é um aspecto do estranho ofício de repórter que não deixa de me fascinar e, ao mesmo tempo, de me inquietar: os factos não registados não existem. Quantos massacres, quantos terramotos acontecem no mundo, quantos navios se afundam, quantos vulcões explodem e quanta, mas quanta gente é perseguida, torturada e assassinada! No entanto, se não houver ninguém que recolha um depoimento, que escreva sobre isso, alguém que tire uma fotografia, que deixe indícios num livro, é como se aqueles factos nunca tivessem acontecido! Sofrimentos sem consequências, sem história. Porque a história só existe se alguém a contar. É uma triste constatação; mas é assim, e talvez seja justamente essa ideia - a ideia de que com cada pequena descrição de uma coisa que se viu se pode deixar uma semente no terreno da memória - que me prende à minha profissão."

Disse-me um adivinho
Tiziano Terzani


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